Confesso que fui ao cinema um pouco descrente hoje. Fã assumida de Clint Eastwood, não consegui me empolgar com o trailer de Invictus em nenhuma das inúmeras vezes que o vi nesses últimos meses. O maior motivo para a peregrinação é simples e rasteiro: Matt Damon foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante e Morgan a melhor ator e eu, como ávida fiscal, tinha que conferir a performance e o merecimento.Com um início um pouco monótono, Clint introduz sua história com maestria. Como sempre, investe em pesquisa e reprodução fiel de imagens, reportagens e momentos históricos (talento já demonstrado com a dupla Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra).
A história em si - apesar de eu, extremamente chata para enredos, considerar monótona e indigna de Eastwood - se conduz sem problemas, sustentada por uma fotografia magnífica (especialmente durante os jogos), uma trilha sonora comovente e um Morgan Freeman (ou Nelson Mandela?) maravilhoso, completamente merecedor da indicação e fortíssimo candidato a vencedor.
Nelson Mandela interpretando Morgan Freeman (ou é o contrário? hum...) convence qualquer um da importância do rugby no futuro da África do Sul. Não que a mensagem de união, quebra de preconceitos e etc. se limite ao vencimento da copa, obviamente. Vai muito além, mas, como é autoexplicativa, não precisa de comentários.
Talvez eu tivesse algo mais a falar do rugby se ao menos tivesse entendido as regras. Sendo assim, vamos em frente, e mudando de saco pra mala.
Mas a indicação de Matt Damon... Pois é. Apesar de ser uma grande interpretação de Damon, extremamente convincente, não creio que seja páreo para Christoph Waltz, o Hans Landa de Bastardos Inglórios (meu preferido), que já levou, inclusive, Globo de Ouro e Cannes. A não ser que a estatueta seja concedida em reverência à massa muscular que Damon adquiriu para o papel.
Para compensar, fica aqui minha homenagem a uma das melhores sequências que já vi: um molequinho com uma sacola velha de latas e garrafas, que conquista policiais a cada lance do jogo e termina sendo carregado no momento da vitória. Bonita, singela e inocente, onde um enxovalhado se torna igual, resumindo, em menos de um minuto de imagens esparsas, todo o ideal do filme.
E, como não podia faltar, fica aqui meu agradecimento por terem, FINALMENTE, colocado Freeman como Mandela. Precisou o próprio Mandiba abrir a boca para alguém tomar uma atitude e consagrar a semelhança.
É aquele tipo de filme bobo, com a fórmula crise + dedicação + superação + sucesso, que nem sempre rende um bom produto. Nesse caso, talvez pela direção impecável de Eastwood, temos um longa empolgante, daqueles que te fazem sair do cinema com uma dose extra de felicidade.
ResponderExcluirE eu chorei feito uma criança no final.