quarta-feira, 17 de março de 2010

Bonitinho, mas Ordinário


Eu sempre soube que Peter Jackson era piegas. Desde a homoafetividade enrustida de Frodo e Sam até as macaquices mexicanas de King Kong, o diretor gosta de encher seus filmes com sequências em câmera lenta, música new age e toda a presepada inerente às suas obras. Nos dois filmes citados, a pieguice funciona, talvez até certo ponto, apesar de ser bastante enjoadinha, pela magnitude trágica que Jackson imprime os acontecimentos de suas tramas, criando a sensação dramática exagerada que ele considera necessária para contar suas histórias. Assim foi a picuinha de 10h pra destruir aquele bendito anel, o epílogo desnecessário de 20 min quando você pensava que O Retorno do Rei já tinha acabado, o gorila Highlander que demora um século pra despencar do Empire State e o mundo perfeitamente chato, monótono e infantiloide de Susie Salmon, protagonista do novo filme do diretor, em cartaz nos cinemas.
Um Olhar do Paraíso, ou Visto do Céu (em Portugal), ou The Lovely Bones (nome original), ou Uma Vida Interrompida (nome do livro) foram alguns dos títulos dados a esse draminha meia boca de sessão da tarde que copia descaradamente sequências do clássico moderno Ghost, utilizando excessivamente efeitos visuais, que apesar da qualidade tecnica, pecam pelo tom impressionista, com cores fortes e rebuscadas, denunciando a origem computadorizada do cenário nos primeiros minutos de projeção.
A história é até boazinha. Uma menina assassinada aos 14 anos narra os acontecimentos que se desdobram sobre sua família com o impacto de sua morte. Ok, nada que Ivani Ribeiro não já tenha feito na espetacular A Viagem, ou mesmo em inúmeros exemplos esquecíveis do cinema, sobre o tema batido da dor da perda de um ente querido, e o blá blá blá subsequente de superação e etc. Poderia até ser um bom filme, tendo em vista a competência do seu diretor, porém, preocupado em fazer do longa uma verdadeira escola de samba, Peter Jackson joga ao telespectador uma mistura de gêneros, não se decidindo sobre qual se fixar, prejudicando o nosso envolvimento com a história. Durante pouco mais de duas horas, somos obrigados a ver um filme de suspense, outro de comédia, de drama, de ação, um thriller policial e sabe Deus como categorizar as cenas da menina chata bancando a Teletubbie no seu "Paraíso", com uma vietnamita insossa a tiracolo cuja presença revela-se totalmente inutil ao final.
É triste perceber que o diretor não teve domínio da narrativa, misturando sensações e sentimentos de forma fria e apressada. Se num momento vemos a mãe chorando e brigando com o pai que não consegue se livrar da obsessão de encontrar o assassino da filha, no outro vemos Susan Sarandon interpretando uma avó maluca beleza brincando com o neto, com direito a trilha sonora animadinha do estilo de Bingo - esperto pra cachorro.
O filme inclui ainda uma paixão não convincente de um garoto do último ano da escola pela pirralha, valendo ressaltar que ambos não só nem chegam a se beijar como sequer trocam mais de 10 palavras - o suficiente para brotar a chama da paixão, na cartilha hollywoodiana. O menino age como um viúvo em luto por ter perdido sua..er..quase-ficante e não acrescenta nada de interessante à história. O mesmo vale para a Médium-Emo que mora no barraco e que declama suas falas como se estivesse lendo o Manuel de Instruções da geladeira de sua casa.
Há algo de positivo no filme? Sim. Muitas sequências de suspense são realmente de tirar o folêgo. A maneira como é construído o personagem do assassino de Susan também é bastante eficaz, merecendo aplausos pela interpretação paradoxalmente contida e explosiva de Stanley Tucci, que faz o psicopata pedófilo. E o que dizer da cena do assassinato da garota? Apesar de sabermos o desfecho da sequência, torcemos de forma frustrada que ela consiga escapar dali com vida. É uma cena longa, angustiante e tensa.
Quanto aos momentos piegas, como eu disse lá em cima, são muitos, um mais constrangedor que o outro, mas se você viajar na maionese do filme despretenciosamente, e se deixar levar pelo fantástico mundo de Susan, pode até chorar no final. É um filme bonitinho, e nada além disso.

2 comentários:

  1. Putz! Aquela vietnamita não teve NADA a acrescentar a aquele filme meeesmo. :P

    Achei o filme, primeiramente, onírico, mas também TENSO, muito tenso!!

    =)

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  2. Gostei da crítica! Única coisa boa mesmo foi a atuação de Stanley Tucci...

    abraços,

    china.

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