quarta-feira, 17 de março de 2010

Uma errata sobre raios.

No post que fiz sobre o filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios, falei que pouco me importava com as críticas negativas de fãs da série de livros, pois vi a obra cinematográfica sem ter lido o original literário, e portanto só estava avaliando o filme em si.
As coisas mudaram quando li o maldito livrinho.
Em toda a minha vida (e provavelmente em todas as minhas vidas passadas e futuras) eu NUNCA vi uma adaptação tão gargantualmente PORCA. O filme "Percy Jackson e o Ladrão de Raios" é uma afronta à obra original. É absurdo. Intragável. Errado. Uma criação teratológica.
É ruim, acreditem.
O enredo não foi adaptado; foi colocado em uma máquina de triturar pedra, em uma betoneira e usado para fazer a fundação do Metrô de Salvador. Não há qualquer menção ao Verdadeiro Vilão da história (em letras maiúsculas mesmo), nem umazinha que seja. As cenas do filme que tem alguma fidelidade (não estou falando daquela fidelidade católica e monogâmica, uma fidelidade "tô indo para Porto Seguro e não vou pegar ninguém" já bastava) não chegam nem a 10%.
E o próprio clima do "mundo Percy Jackson" é distorcido. Rick Riordan, o autor da série, teve um cuidado extremo em explicar e justificar cada parte do seu universo. A presença de deuses e criaturas da mitologia grega soa, ainda que de forma um tanto metafísica, convincente. O filme simplesmente dá uma patada na nuca dos mitos gregos e manda eles aparecerem nos Estados Unidos. Uma escola de samba desfilando em Teerã pareceria menos deslocada, em comparação.
A personalidade dos deuses e criaturas é respeitada - pegadores são pegadores, virgens são virgens, briguentos são briguentos (e quem conhece mitologia sabe de quem eu estou falando). E eles aparecem na história, participam da trama. Não ficam só de figurantes/garotos-propaganda de loja de lençol no finzinho do filme.
Vejam bem: o livro não é um uma Odisséia. Mas é divertido. Melhor do que muita porcaria que os "bacuri tudo" leem hoje em dia. Dá para efetivamente aprender alguma coisa de mitologia grega lendo uma história divertida e com fluidez. É muito mais do que se pode pedir hoje em dia, convenhamos.
Portanto, leiam o livro, não vejam o filme. Ou vejam o filme ANTES de ler o livro, para que o cérebro de vocês não escorra pelos ouvidos. Ou leiam o livro primeiro e escrevam um post nos blogs de vocês com o único intuito de me contradizer. Ou "leiam o filme e vejam o livro", como diz o poeta. Ou não façam nada.

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