domingo, 11 de abril de 2010

Você acha que tem problemas? Então conheça Larry Gopnick.

Com muito atraso, devo deixar aqui minha impressão sobre "Um Homem Sério". Ok, que filme é esse?
Deixe-me esclarecer. "Um Homem Sério" não tem atores famosos. Não tem um mega cenário. Não tem propaganda massiva. Não tem super produção. Você não deve nem ter ouvido falar sobre ele.
E que diabos foi fazer na lista de melhor filme da Academia? Ah... Aí começa a longa história.
O filme dos Irmão Coen (de "Queime Depois de Ler" e "Onde os Fracos não têm Vez", ganhador de 2008) é um filme  sobre a vida. Não a vida em geral, mas a ingrata vida de Larry Gopnick nos idos de 1967.
Larry Gopnick é um judeu na faixa dos 40 anos, professor de escola pública, casado com uma mulher sem sal, com dois filhos sem sal e com um irmão mais que estranho. Ninguém entende suas aulas de física, sua esposa quer se separar para casar com um mala, sua filha só faz lavar o cabelo, seu filho é maconheiro e seu irmão dorme no sofá. 
O problema não é a vida ingrata de Larry. Não. O problema é que ele procura ser sempre um homem sério.
Se você procura um filme para sentir raiva, aqui está o melhor deles. Larry é a legítima e indiscutível descrição do banana. Por mais problemas que passe, por mais pressão que sofra, ele sempre quer ser um homem sério. 
Como bom judeu, busca conselho com os rabinos. Como bom marido, tenta salvar o casamento e até atura o amante da esposa. Como bom pai, tenta educar os filhos. Como bom irmão, atura o parasita Arthur. Como bom vizinho, deixa de brigar pelo terreno invadido. Como bom professor, não aceita suborno de alunos. 
E assim ele continua, aturando tudo e todos, porque ele é um homem sério. E procura a fonte de todos os seus problemas, e reflete por que diabos e como tudo isso aconteceu. Mas ele nunca, nunca, perde a fé ou a integridade, nem mesmo em meio ao caos que sua vida se torna.
É um filme irritante, não vou mentir. Duvido que alguém ache legal ficar 2 horas em frente à tela acumulando indignação no lugar do personagem. Porque você vai se indignar completamente com a vida de Larry e com sua bananice.
Mas não fique irritado com ele. Tenha compaixão. Tudo que Larry quer é ser um homem sério. E, por isso, permanece em um dilema moral, com todos os seus princípios em jogo e com tudo o forçando a subvertê-los. Até que ele explode... ou será que não?
Em resumo: um bom filme sobre uma boa pessoa. Talvez, boa pessoa demais.

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