quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Insensata Baixaria


Parece que a Globo ainda não desistiu de sua busca pela audiência perdida. Após Passione ter acabado em pizza, como um dos maiores fracassos da nova safra de novelas do horário nobre, a bola da vez é a breguete Insensato Coração, que a começar pelo título e pelas interpretações exageradas, poderia muito bem se passar por mais um enlatado da TV mexicana.
Logo no primeiro capítulo, o clássico ex-presidiário injustiçado, condenado por um crime que não cometeu, quer se vingar da responsável pela sua prisão, a milionária vivida por Nathália Thimberg. Como? Matando suas duas netas. De que maneira? Dando um tiro na cabeça delas? Não, muito fácil. Ele prefere pegar um vôo com elas para Florianópolis, e enquanto o avião sobrevoasse o sudoeste paranaense, matar os pilotos, sequestrar e derrubar a aeronave. Seu plano dá errado, por que ele não contava que um dos passageiros, sobrevivente do Voo United 93, num ato heróico, mataria o vilão e recupera o controle do avião em queda-livre. A cena foi constrangedora, mal-feita, forçada e insensata. Como o título da novela.

Completaram o capítulo Deborah Secco, repetindo a personagem Darlene, de Celebridade, Paola Oliveira, sempre agradável aos olhos, e a grande polêmica da novela: o "galã" Lázaro Ramos.
A iniciativa foi louvável. O primeiro negro no papel de pegador irresistível é sem dúvida uma quebra de paradigmas, e merece aplausos por si só. O preconceito ainda é forte no nosso País, e a televisão, como meio de comunicação em massa e (de)formadora de opinião, pode mudar essa idéia ultrapassada do padrão de beleza europeu. No entanto, e sem querer entrar no mérito subjetivo da beleza (?) de Lázaro, o personagem está caricato, risível e ridículo. O ator, muito longe de acertar o tom do que é ser charmoso, anda pra lá e pra cá com olhar semi-cerrado de predador sanguinolento e superlativa os seus lábios já superlativizados, já que depois de Angelina Jolie, ter um beição virou sinônimo de sensualidade. As mulheres da novela se derretem aos seus pés, e correspondem aos seus olhares semi-cerrados como cadelas no cio. No primiro capítulo-micareta, ele pegou três, fazendo inveja até a José Mayer.
No segundo, somos apresentados à festa de aniversário de casamento de Antonio Fagundes e Nathalia do Vale, e aos seus parentes invejosos. Caprichando na baixaria, rolou logo de cara um barraco homérico de histeria coletiva, com tapas na sogra, socos no cunhado e xingamentos na tia, numa cena artificial e apelativa. Numa época em que o Canal Viva reprisa obras memoráveis da dramaturgia, como Vale-Tudo e Por Amor, o melhor mesmo é trocar de canal.

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