sábado, 12 de março de 2011

Os Virgens de 40 anos


Em certo momento do filme "Passe Livre", Fred se questiona se é feliz no casamento. "Tudo que eu faço na vida é em função da minha esposa" ele diz para seu melhor amigo, Rick. "Ela quando pequena brincava de casinha, e eu lhe dei uma mansão. Ela brincava de bonecas e eu lhe dei filhos. Ela brincava de comidinha e eu lhe dei um fogão de última geração. E alguma vez ela já se preocupou com meus sonhos de juventude? Nunca".
Ora, o que é ser um macho no século XXI? Ser um bom marido, cuidar dos filhos, dividir as tarefas domésticas, trabalhar feito um condenado, comprar um tapete de R$4.000,00 que você nem sabe pra que serve (mas que sua esposa viu na Revista Casa Cláudia), e tentar de todas as formas agradar a patroa. Com o perdão da piada, dizem que a mulher só precisa de três animais na vida dela: um Jaguar na garagem, um Burro pra pagar suas contas, e um Leão na cama. Os gênios por trás do sucesso "Quem vai ficar com Mary", os irmãos Farrelly, abordam com precisão cirúrgica todas as dúvidas existenciais que acometem o homem pós-moderno, e colocam em cheque o próprio conceito de felicidade masculina - um contraponto entre a estabilidade da monogamia e a porra-louquice da juventude desregrada e micareteira. E denotam assim a viragem paradigmática do feminismo nos relacionamentos. Segundo o filme, uma comédia de erros, mas ainda assim não tão longe da realidade, elas é que são as opressoras, que têm o direito de fofocar sobre o que quiserem, mas que acham um absurdo se os maridos se reúnem pra falar de mulher. Que fingem estar dormindo ou com dor de cabeça para não transar de noite, e que censuram o marido que se masturba.
Assim, observando a crise conjugal pela qual passavam, as respectivas esposas de Rick e Fred resolvem lhes dar um Passe Livre - uma semana de solterice, longe do casamento, dos filhos e das obrigações, para felicidade dos dois amigos. E o filme gira em torno justamente dos 7 dias em que eles vão tentar de todas as formas correr atrás de sexo sem comprimisso e da juventude perdida (leia-se, a juventude que nunca tiveram). Entram numa academia, passam a frequentar boates e dão em cima de garçonetes de cafeterias. E é a partir daí que rolam as cenas mais constrangedoras e hilariantes como há muito tempo não via no cinema. Gags visuais inspiradas e diálogos que colocam o superestimado "Se Beber não case" no chinelo. Contar mais estraga. Vá ao cinema e leve um lenço - você vai chorar de rir.

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