
Esqueça o subtítulo vagabundo. "Navegando em Águas Misteriosas" parece mais nome de livro de Zíbia Gasparetto, eu sei. Mas se você é fã da série, como eu, pode encarar Piratas do Caribe 4 sem medo, por que todos os elementos que fizeram sucesso na trilogia continuam lá: doses cavalares de Jack Sparrow, o humor ácido de Hector Barbosa (de longe meu personagem preferido), as lutas sem graça de espada (a parte mais chata), as piadas inspiradas e as cenas de ação com muitos efeitos especiais. Ah, e de brinde ainda tem Penelope Cruz, a atriz mais sexy do cinema, e seu sotaque sensual de dona de cabaré. Quer mais?
Confesso que quando recebi a notícia de um novo filme da franquia, não entendi nada. O terceiro, "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo" já tinha provado que a fórmula havia se esgotado. Um filme chato - muito chato - longo, enfadonho, e sem pé nem cabeça. Mas como Hollywood não se interessa com qualidade, a quantidade dos dólares no bolso de Jerry Bruckeheimer o fizeram procurar outra história para lançar os piratas no cinema de novo. Assim, pegou um livro cretino qualquer, e o adaptou aos personagens originais, num arremedo de roteiro que envolve a busca pela Fonte da Juventude, uma Baía habitada por Sereias carnívoras, e um navio mal-assombrado e capitaneado pelo terrível Barba Negra. Muita informação? Também acho.
Todavia, por incrível que pareça, o resultado final foi melhor do que eu esperava. Mérito de Johnny Depp, ainda impecável na pele do protagonista, e de Geoffrey Rush, cômico no papel do cínico Capitão Barbosa. O diretor, Rob Marshall, porém, responsável por Chicago e Nine, não traz nada de original à série - o que é um absurdo, levando-se em consideração que Rob, coreógrafo de formação e criador do antológico "Cell Block Tango" poderia ter entregado um produto melhor ao público, ao invés de simplesmente repetir as cenas de luta enfadonhas dos três filmes.
Apesar disso, uma cena que merece aplausos, sem dúvida, é toda a sequência do ataque das sereias carnívoras. Muito bem planejada, com a dose certa de suspense, ação e aventura, é de arrepiar os cabelos da nuca, e certamente rivaliza com o ataque a Port Royal (aquele do "Maldição do Pérola Negra", em que sequestram Elizabeth e o público fica sabendo da real natureza demoníaca dos piratas) como a melhor cena de toda a série.
Enfim, no final das contas, temos um filme divertido, ágil, e com um dos personagens mais queridos da cultura pop. Jack Sparrow tem toques de Zé Carioca, Indiana Jones, McGiver, e Charles Chaplin, e é impossível não rir com suas maluquices e com o jeito improvável com que escapa das situações mais adversas. Ignore a sensação de deja vu, e embarque de cabeça na fantasia. Piratas do Caribe 4 é entretenimento fácil, ainda que nada inovador, e nos mostra o quanto aquela palhaçada toda faz falta no cinema.

Pois eu não gostei não... Achei como se fosse o primeiro filme da série, creio que deveriam ter parado no 3 mesmo...
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