quarta-feira, 18 de maio de 2011

Rei Arthur na levada da breca


Eu pensei e repensei 3 vezes antes de escrever esse post. Por quê? Ora bolas, porque com certeza quem ler vai dizer que eu tenho sérios problemas e vai tentar me mandar pra rehabEu viciei em mais um seriado. Não só em mais um, em mais uns 3, mas como o post hoje é sobre Camelot, eu só vou falar sobre Camelot e você continua aí fingindo que acredita que eu sou normal.

Por gostar muito de literatura e ser extremamente apegada a clássicos, eu tinha meus 13 nos quando resolvi ler As Brumas de Avalon. Já era fissurada no Rei Arthur desde meus tempos de Disney com "A Espada era a Lei" e aproveitei pra incentivar a paixão. Foi o estopim. Daí pra frente eu já li mais umas duas versões da lenda e assisti uns 348 filmes sobre o tema, todos com versões diferentes (o filme d'As Brumas eu vi umas 20 vezes, Julianna Margulies dá um show!), mas a minha preferida ainda é a de Marion Zimmer Bradley.
Fuçando a internet, pra variar, acabei descobrindo mais um motivo pra cultivar meu vício: Camelot. Tinham resolvido, finalmente, fazer uma série sobre o Rei Arthur. Juro que só faltei fazer dancinha comemorativa em casa enquanto sofria até a estreia. Não vou mentir que o motivo que mais me incentivou ao desespero foi quando eu soube do elenco: Eva Green, Claire Forlani, Joseph Fiennes e por aí vai. 
Então sentei, esperei, roí umas unhas, arranquei uns fios de cabelo e a série estreou. Estreou bem, vai, Eva Green de Morgana está perfeita, Joseph de Merlin também. Mas olha, que versão louca da história foi essa que inventaram? Das 1878 versões que presenciei, essa é a mais sem pé nem cabeça que existe.
Não que seja ruim, pelo contrário. Apesar de achar o ator que interpreta Arthur meio fraquinho - também, com uma surra de elenco desse, coitado - e a história muito revolucionária para os meus conhecimentos da Távola Redonda, o seriado vem me agradando. 
Brincando de crítica técnica, além do elenco, eu me apaixonei pela produção artística da série. É fantástica e digníssima de nota: cenários, figurinos, paisagens, tudo muito bonito! Construíram o mundinho de Camelot como eu sempre imaginei, adequado à época em que é narrada a lenda original e com muitos detalhes. Com certeza não foi muito barato concretizar a minha sempre pretensiosa imaginação (que metida!).
Também não posso deixar de comentar que, apesar das modificações absurdas na história, eu até gosto das novidades. O essencial foi mantido, mas repaginado. Sim, existem cavaleiros, Merlin, Morgana, Igraine, espada na pedra, Excalibur, Guinevere etc., Mas os contextos foram modificados, apesar de as personalidades tradicionais se manterem. 
A ressalva positiva quanto à mudança de personalidade fica pra Merlin. Isso porque o nosso Merlin mago, barbudo, velho, infalível e convencido foi trocado por um Merlin muito mais humano, novo, errante e humilde, dando uma profundidade e um ar de mistério inéditos ao personagem com a atuação sensacional de Fiennes. Confesso uma certa paixonite por esse novo Merlin, cheio de dramas e crises existenciais tipicamente humanas. Já a ressalva negativa vai pro roteirista que achou conveniente trocar o reconhecido nome Lancelote por Leontes. Não gostei, levei 3 episódios pra entender quem era. Muda a história mas não muda o nome, pô!
No mais, o enredo está andando muito direitinho. Apesar de eu não entender por que não fizeram logo uma adaptação d'As Brumas em minha homenagem (:P), a versão desenvolvida para a série tem um pouco de tudo: bruxarias, intrigas, personalidades fortes, lutas, política e confusão, cada qual na medida certa. Juntando isso ao elenco arrasa-quarteirão e à produção artística impecável, acaba resultando em uma senhora série de responsabilidade, que já está fazendo muito sucesso lá fora e tem muito potencial pra crescer.
Por isso, se você for fã do gênero e não muito apegado a tradições, assista Camelot. Garanto que a combinação explosiva vai te agradar e você vai ficar como eu: roendo unhas até o próximo episódio.

Um comentário:

  1. Tem certeza que Leontes é lancelot? Só descobri agora porque você disse... Mas, concordo com tudo que escreveu, principalmente sobre Merlin!

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