
Cinco agentes do FBI, liderados pelo brutamontes The Rock, invadem uma favela carioca a fim de prender Vin Diesel e Paul Walker, os protagonistas criminosos do filme Velozes e Furiosos 5. Chegando lá, encontram os tais “mocinhos” confraternizando com a galera da comunidádi, cercados de mulheres e carros de última geração, e todos dançando alegremente ao som do Kuduru (sim, aquela mania que não é regue, nem samba, mas que você tá cansado de saber que veio lá de Luanda). E assim, numa cena que já nasceu clássica, os agentes anunciam a prisão dos americanos, ao que Vin Diesel, com sua (falta de) expressão facial de costume, debocha e solta a seguinte pérola:
- Você acha que pode chegar aqui e simplesmente me prender? Isso aqui não são os Estados Unidos, não! Isso aqui é o Brasil!! – e dizendo isso, eis que centenas de integrantes da festa sacam seus revólveres, metralhadoras e sub-20’s, mandando o FBI embora com o rabinho entre as pernas.
E a palhaçada não para por aí. Em outro diálogo inacreditável, o agente do FBI The Rock procura a policial brasileira loira e siliconada para que o acompanhe na missão de prender os bandidos, e quando questionado o por quê da escolha, ele retruca:

- Por quê você é a única policial do Rio de Janeiro que não é corrupta. É verdade? – ao que ela responde, “Yes, that is true”. (Meu Deus, quem escreveu esse roteiro???)
Ah, o Rio de Janeiro. De uns tempos pra cá, Hollywood resolveu explorar o potencial cinematográfico da Cidade Maravilhosa. Hulk já veio, Velozes e Furiosos já veio, e até Crepúsculo mandou seu vampiro Edward brilhar no Sol carioca, encantados pelas naturais do lugar, e claro, fascinados pelas favelas. Talvez graças à repercussão internacional de Cidade de Deus e Tropa de Elite, todo mundo agora quer tirar uma casquinha dos labirintos encarapitados nos morros da cidade, e Velozes e Furiosos 5 não foge à cartilha, reproduzindo cenas de perseguição nos becos, tomadas áreas de correria desenfreadas por lajes e telhas de Eternit, e bailes funk onde são organizadas corridas de carros superpotentes. Sério.
No folclore do filme, um único empresário comanda todo o tráfico de drogas do Rio inteiro, e tem como hobby, veja só, colecionar carros importados e turbinados. É assim que o caminho dele cruza com o dos protagonistas, que decidem roubar os veículos enquanto os mesmos são transportados para o Rio de Janeiro através de um trem de carga que percorre uma paisagem que mais parece o deserto do Arizona.
Sim, não se engane. Só algumas tomadas do filme foram rodadas aqui no Brasil. A maioria mesmo foi filmada em Porto Rico e Miami, por isso não se espante quando assistir a obra prima e ficar com raiva da agência de viagens que não te levou naqueles lugares quando você foi ao Rio de Janeiro . Além disso, aviso logo que todos os personagens brasileiros do filme na verdade são atores estrangeiros que foram DUBLADOS num estúdio. Portanto, vá logo se familiarizando com a idéia de conhecer traficantes com as vozes de Ash Ketchum, Goku, Vedita, Seiya e Shiryu. Numa outra cena também digna de nota, uma americana metida a besta, tentando seduzir o vilão do filme, tira o roupão na beira da piscina e caminha até ele, de biquíni, em câmera lenta. Não preciso nem dizer que o cinema onde eu estava caiu em gargalhada. Uma mulher magrela, de bunda chulada e perna fina, querer ser mais sensual do que uma brasileira? É muita pretensão.
Aliás, para finalizar, preciso abrir um parênteses. Não há nada como assistir um filme do povão como Velozes e Furiosos, e numa sessão lotada de baianos, povo conhecido mundialmente por sua falta de educação, principalmente em conversar durante a exibição de um filme. Em outros momentos, eu reclamaria, xingaria a mãe, ou arremessaria um saco de pipoca pra fazê-los calar a boca, mas como eu não estava com a menor vontade de assistir o filme (Rebecca pagou meu ingresso), deixei pra lá e curti os comentários paralelos no cinema.

A cereja do bolo, sem dúvida, foram os comentários de duas cinquentonas sentadas do meu lado, as quais provavelmente deviam estar fazendo reposição hormonal, tamanho o fogo que sentiam debaixo da saia. Foi só Vin Diesel aparecer na tela, que elas começaram a tecer observações sobre os atributos físicos do rapaz, e quando ele abriu a boca pra falar, elas soltaram um “Avemaria” orgásmico, e uma delas perguntou à outra: “Imagine um vozeirão desses no seu ouvido? Eu num guento!”.
A essa altura do campeonato, eu não estava mais me importando com o filme (uma bomba de proporções atômicas), a não ser com a hora em que ia acabar. O ponto alto da noite, mais uma vez graças às ilustres desconhecidas e libidinosas ao meu lado, ocorreu quando o protagonista do filme soltou a clássica frase “Nós temos que fugir daqui” (proferida por 10 entre 10 personagens de filmes de ação), ao que as fogosas, fazendo jus à baianidade nagô, largaram a seguinte pérola:
- Vem pra Salvador, delícia!
Era o encontro de Dona Copélia de ‘Toma Lá Dá Cá’ com Samantha Jones de ‘Sex and the City’, e me divertiu muito mais do que as duas horas do filme, a não ser talvez, em certo momento em que o vilão, tentando explicar a razão da sua popularidade na favela, narra para a platéia a história da colonização brasileira. Segundo ele, portugueses e espanhóis colonizaram o País, mas só os irmãos lusitanos tiveram sucesso, pois os espanhóis, que chegaram matando todos os índios, foram logo expulsos da terra.
- Eu faço igual aos portugueses – continua o vilão do filme – Eu chego na favela dando presente, televisão, internet, comida..era isso o que os portugueses faziam com os indígenas. Deram espelho, roupa, prataria, e foram conquistando a confiança deles. Pra conquistar o resto do Brasil, foi fácil! É por isso que hoje, nós brasileiros falamos português.
Aham, Cláudia.
Ahhh iuri, eu gostei do filme, deixa de ser chato!!
ResponderExcluirMas o comentário ficou muito bom e divetido!
beijão!
Muito bom!
ResponderExcluirÉ um filme extremamente exagerado. as cenas, embora bem feitas, não precisavam de tanto.
A parte do deserto me deixou voando. por um momento achei que eles tinha saido do Rio e voltado para os EUA. Pior de tudo é o desfiladeiro hehe.
A mulher de biquíni foi simplesmente incompreensível!
Faltou vc falar da cena pós-créditos! ou já tinha saído? aparentemente Letty (a namorada de Vin Diesel nos outros filmes) está viva! ou seja, aguardem novas sequências!
Abraço