Não sei por que demorei tanto de escrever sobre um dos meus CDs preferidos da vida. Apesar de eu falar sempre de rock e música internacional etc. eu tenho umas paixões incuráveis pela música brasileira. Não podia ser diferente pra quem cresceu ao som de Chico, Jobim, Caetano, Gil e patota (teve "os rock doidão" também, e as músicas caipiras, e as disco dances da vida, mas isso não vem ao caso hoje :P). Dentre as mil coisas que sempre tinha aqui em casa está o samba. Meu pai é um fã incondicional de Beth Carvalho e de tudo que isso implica (samba de raiz, Mangueira, Cartola, Jamelão...). Já minha mãe cresceu ouvindo João Nogueira, conhece o repertório inteirinho e cantarolou a vida inteira. Ou seja, nasci eu, condicionada por um ambiente altamente contaminante.
Pois então. Mas como eu gosto de fuçar coisas novas, nunca fico limitada aos clássicos, e foi assim que eu descobri Roberta Sá. E que bela descoberta, porque eu me apaixonei. Dos clássicos de Chico e do samba até às composições próprias, não tem nada ruim. Até porque, com uma voz daquela, se fosse ruim a culpa era dos meus ouvidos.
Aí a maledeta lançou o álbum "Quando o Canto é Reza" com o Trio Madeira Brasil, sobre o qual eu poderia escrever uma monografia e não seria o bastante, porque eu realmente amo o CD e não consigo, de forma alguma, pensar em um defeito.
O que eu tenho que dizer primeiro é que, como boa baiana nagô, sou discípula de Roque Ferreira e suas composições. Um álbum inteirinho com as músicas dele e na voz de Robertinha é pura sacanagem, né? Pra quem não conhece, nativo do Recôncavo baiano, Roque é um dos maiores compositores do samba brasileiro e fala exatamente sobre a cultura da terrinha. Tá pensando que aquele balanço de Clara Nunes e Zeca Pagodinho é só personalidade? Nada disso, é de Roque. Completar com o Trio Madeira Brasil também foi covardia. Assim, sou fã de choro e viola (não devotada como meu pai) e quando eu dei play no CD eu quase chorei de emoção. É a combinação perfeita.
Do início ao fim as músicas exalam a alma da baianidade, especialmente a cultura negra da Bahia, naquele ritmo que dá vontade de levantar e sair sambando (evite ouvir no carro). De Mandingo a Festejo (mais que conhecida, dispensa apresentações), as 13 músicas são fantásticas. A musicalidade do negócio é tanta que eu passei, JURO, 2 meses sem praticamente ouvir outra coisa. Sem comentar que bati meu ponto nos dois shows que aconteceram aqui em Salvador, só pra ter o prazer de ouvir a perfeição ao vivo.
A minha preferida, de longe, é Água da Minha Sede. Não sei se porque eu andava meio romântica na época que lançou o CD, mas eu realmente não consigo parar de cantar até hoje, a letra é sensacional (e clássica também, mas com o charme de Robertinha é tudo diferente). No top 3 também tá Zambiapungo, que em matéria de melodia é a mais bonita, e Mandingo (que eu já falei - já foi gravada por Pedro Luís e a Parede também, da geração nova, versão massa!). A quarta preferida eu acho que vai pra Orixá de Frente. Mas entendam bem: são todas lindas e que me fazem ter mais amor ainda por minha terra.
Ouça e balance no suingue de raiz da Bahia. Não é à toa que Robertinha escolheu lançar o CD aqui. Afinal, quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé...
OBS: Apenas para matá-los todos de invejinha, o vídeo de Água da Minha Sede foi gravado exatamente no show de estreia da turnê, ano passado, aqui em Salvador, onde eu estava toda feliz e saltitante. E a foto bem aqui em cima foi tirada pela minha pessoa no show de abril desse ano, infelizmente com o celular. Mas o que vale é o momento registrado. :)



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