segunda-feira, 16 de maio de 2011

Uma declaração de amor ao brega trash


Louca por Quentin Tarantino seria uma boa definição para mim. O gênero sangrento realista e sem apelação me conquistou ainda em minha adolescência e até hoje eu não consegui me livrar desse gosto peculiar (afinal, meu filme preferido é O Iluminado, de Kubrick :D). 
Por consequência, qualquer filme mais ou menos adequado ao gênero já chama minha atenção. Lembro até hoje quando soube da estreia de Sin City e lamentei horrores que não tinha 16 anos pra ir assistir. O que eu fiz? Chamei papai e mamãe e fiz eles me levarem pra ver o filme. Marcou minha vida.
Aí, quando eu soube que ia sair Machete, de Robert Rodriguez (aquele mesmo de Sin City), eu enlouqueci. O grande problema dessas minhas loucuras é que eu sempre acabo perdendo a ansiedade e deixo pra ver o filme pelo menos 6 meses depois. Maluquices da vida, vai entender.
Eu andava encafifada essa semana porque tinha décadas que não via um filme, então ele foi o escolhido. Preciso dizer que Rodriguez andou evoluindo na linha tarantínica de ser desde Sin City. Se compararmos com o antigão "A Balada do Pistoleiro", passamos, literalmente, de trocas de tiros sem graça, uma caixa de violão, e jogadas de cabelo de Antonio Banderas e Salma Hayek para cenas de fúria e bagunça dignas do mestre. Tão dignas que adorei uma cena envolvendo uma fuga e um intestino, que se eu contar perde a graça, e duas lutas: uma com Louboutins vermelhos (o sangue paty ferveu!) e outra com um cortador de grama, que me fez rir alto.
Brincando com um cabrón estereotipicamente mexicano do mal, Rodriguez conseguiu misturar Tarantino e Almodóvar em uma coisa só e o resultado foi sensacional. Tá que eu não gostei do personagem de De Niro, achei ele super mal aproveitado, e tá que Steven Seagal renascendo das cinzas também não convenceu, mas o resto do filme ficou impecável. 
Entre as facadas em hospitais, tiroteios em igrejas, foras-da-lei e muito sangue espirrado, obviamente, o que eu mais gostei foi do tom irônico do filme. Machete parece um filho do demônio e faz sucesso com TODAS as mulheres que aparecem pela frente: Michelle Rodriguez, Jessica Alba e até Lindsay Lohan em seu mais do que piadístico papel de drogada. Complementando, exagera em um joguete político típico de candidatos populistas e caricatos, envolvendo até mesmo o bom e velho Frank Lapidus (de Lost, o mesmo ator) e uma Jessica Alba muito invocadinha como agente de imigração. E, por óbvio, uma trupe de vigilantes barra-pesada que fazem a justiça contra imigrantes com as próprias mãos e armas na fronteira americana.
Tá, mas onde entra Almodóvar? No melodrama exagerado e no papel da família na personalidade dos personagens. Lapidus, coitado, tem uma queda freudiana pela filhinha, que tem uma relação doentia com a mamãe; Machete exala pura vingança pela morte da esposa. Também fica a alminha dele na filmagem, cenários e figurinos kitsch e nos personagens quase de novela que Rodriguez conseguiu construir muito bem.
De reviravolta em reviravolta a gente vai se divertindo e literalmente esquece que o filme é de pancadaria, a não ser pelas eventuais levantadas de machete que o nosso Machete dá -o nome é em homenagem à arma mesmo. 
Digna de nota é a batalha final cheia de carros antigos, suspensões a ar, gente correndo com armas, sem atirar, explosões, DO NADA pin-ups e freiras e, como não podia faltar, incríveis ressuscitações e viradas de camisa. 
Por isso, em outra palavra não poderia ser: SENSACIONAL. É a perfeita superação artística do responsável por Pequenos Espiões. Bebeu na fonte certa, Rodriguez! Obrigada por renascer o trash e o brega e trazê-los repaginados de volta para a minha vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pode reclamar, a gente não liga!